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Tempo em família e saúde mental de crianças em idade escolar em contextos de vulnerabilidade social
( 2026 ) Ribeiro, Rosa Maria Lopes; Rosário, Rafaela; Lopes, Cristiana Alexandra Pereira Sousa
O presente relatório foi desenvolvido no âmbito do Estágio de Natureza Profissional com Relatório,
integrado no Mestrado em Enfermagem de Saúde Comunitária na Área de Enfermagem de Saúde
Familiar, da Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho. Desenvolvido numa Unidade
de Saúde Familiar do Norte de Portugal, teve como finalidade consolidar competências comuns e
específicas do Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Saúde Familiar, através de uma prática
clínica reflexiva, crítica e fundamentada, centrada na família enquanto unidade de cuidados.
O trabalho integra a contextualização do local de estágio, a análise crítico-reflexiva das competências
especializadas desenvolvidas e uma componente de investigação centrada na associação entre o tempo
em família e a saúde mental de crianças em idade escolar inseridas em contextos de vulnerabilidade
social. A investigação desenvolvida corresponde a um estudo observacional, transversal e analítico,
realizado a partir de dados baseline do projeto BeE-School, com uma amostra de 735 crianças do 1.º
ciclo em agrupamentos TEIP do Norte de Portugal. Para a recolha de dados, foram utilizados um
questionário sociodemográfico elaborado pelos investigadores, o Strengths and Difficulties
Questionnaire (SDQ), para avaliação das dificuldades e capacidades socioemocionais da criança, e um
conjunto de itens do Health Behaviour in School-aged Children (HBSC), para avaliar a frequência de
atividades realizadas em família; preenchidos pelos pais.
Os resultados sugerem que maior frequência de tempo em família se associa a menos dificuldades
psicossociais em crianças, nomeadamente problemas de comportamento e hiperatividade, sobretudo
quando o tempo partilhado envolve atividades mais interativas e participativas. Sublinham ainda o
potencial das dinâmicas familiares enquanto recurso protetor da saúde mental infantil, com implicações
relevantes para a prática da Enfermagem de Saúde Familiar em contextos de maior vulnerabilidade
social. Globalmente, o percurso reforçou a centralidade da família na prática especializada de
enfermagem e evidenciou a relevância de intervenções colaborativas, contextualizadas e sustentadas na
evidência.
Determinantes em saúde, uso de dispositivos eletrónicos e estado ponderal na criança: contributos de enfermagem de saúde familiar
( 2026 ) Costa, Isabel Maria Fernandes; Rosário, Rafaela; Duarte, Ana Catarina Silva Pinto
O presente relatório resulta do Estágio de Natureza Profissional, realizado no âmbito do Mestrado
Enfermagem Comunitária na Área de Enfermagem de Saúde Familiar (EEECESF). O estágio permitiu
desenvolver, aplicar e refletir criticamente sobre as competências do Enfermeiro Especialista, integrando
cuidados centrados na família, prática baseada na evidência e articulação interdisciplinar. Paralelamente,
foi desenvolvido um estudo de investigação sobre determinantes de saúde e o estado ponderal em
crianças dos 10 aos 12 anos. O estudo teve como questão de investigação: Qual é a associação entre o
número de tipos de dispositivos eletrónicos de que a criança gosta e a propensão para o excesso de peso
em crianças de 10 a 12 anos na região norte de Portugal?".
Foi realizado um estudo quantitativo, observacional, transversal e analítico, envolvendo 501 crianças
(n=282 rapazes) dos 10 aos 12 anos seguidas em cinco USF do norte de Portugal. O perfil
sociodemográfico, massa corporal e estatura foram recolhidos e o questionário de avaliação do número
de dispositivos que a criança gosta foi preenchido pela criança.
Verificou-se uma associação significativa entre gostar de um ou mais de dois dispositivos eletrónicos e o
excesso de peso na criança ((OR = 1.531; 95% CI 1.054 -2.224), ou seja, a criança que gosta de mais
de 2 dispositivos eletrónicos tem maior propensão para o excesso de peso ou obesidade (OR 1.531). O
IMC do pai (OR=1.070; 95% IC 1.022-1.120) e da mãe (OR=1.045; 95% IC 1.006-1.085) revelou-se
igualmente um preditor do estado ponderal da criança.
Gostar de 2 ou mais dispositivos digitais e as características familiares estão significativamente
associados ao estado ponderal da criança. Estes achados reforçam a importância de integrar, na
Enfermagem de Saúde Familiar, estratégias que promovam o uso equilibrado de dispositivos eletrónicos
e a capacitação das famílias para a adoção de estilos de vida saudáveis.
O estágio permitiu consolidar competências especializadas, evidenciando a importância da prática
reflexiva, da avaliação familiar sistematizada e da articulação com recursos comunitários para uma
intervenção eficaz e centrada na família.
Satisfação profissional e engagement dos enfermeiros especialistas em enfermagem de reabilitação: um estudo realizado no contexto de uma ULS da região Minho de Portugal
( 2026 ) Lemos, Célia Margarida Sousa; Petronilho, Fernando
A Satisfação Profissional e o Engagement assumem um papel determinante na qualidade dos cuidados de saúde, particularmente no contexto da Enfermagem de Reabilitação (ER), onde a intervenção dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EEER) se centra na promoção da autonomia, funcionalidade e qualidade de vida das pessoas. Ambientes organizacionais favoráveis, aliados ao reconhecimento profissional e a condições de trabalho adequadas, influenciam positivamente o bem-estar, a motivação e o desempenho destes profissionais, refletindo-se na segurança e qualidade dos cuidados prestados. O presente estudo teve como objetivo principal, explicar as relações entre a Satisfação Profissional, Engagement e caraterísticas sociodemográficas e profissionais dos EEER, de uma Unidade Local de Saúde da região do Minho. Desenvolveu-se um estudo quantitativo, correlacional, de natureza transversal, com uma amostra não probabilística constituída por 77 EEER em exercício ativo. A recolha de dados foi realizada através de um questionário composto por três partes: i) caraterização sociodemográfica e profissional, ii) Avaliação da Satisfação Profissional no Trabalho para Enfermeiros (EAST-Enf) (Ferreira & Loureiro, 2012) e iii) Avaliação do Engagement (UWES) (Schaufeli & Bakker, 2003), adaptada para a população portuguesa por Marques-Pinto e Picado (2011). Os resultados evidenciam níveis satisfatórios de satisfação profissional e níveis elevados de Engagement, destacando-se a dimensão dedicação. Verificou-se uma associação entre Satisfação Profissional e Engagement, sugerindo que profissionais mais satisfeitos tendem a apresentar maior envolvimento com o trabalho. Verifica-se ainda influência do género na Satisfação Profissional e do tipo de horário no Engagement. Estes resultados reforçam a importância de estratégias organizacionais que promovam ambientes de trabalho positivos, reconhecimento profissional e oportunidades de desenvolvimento, contribuindo para o bem-estar dos EEER e para a melhoria da qualidade dos cuidados de ER.