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Participação política dos jovens portugueses nas eleições europeias de 2024 - O que nos dizem as suas escolhas?
( 2026 ) Coutinho, Ema Marques; Carvalhais, I.E.
A esfera política não é alheia no seu funcionamento e e na qualidade dos seus output, ao processo de construção do jovem cidadão que sendo o ‘cidadão de amanhã’, já o é hoje. É nessa esfera que se consolidam formas de ver o mundo, valores e padrões de participação que influenciam, positiva ou negativamente, a vitalidade da nossa democracia e a sua capacidade de renovação.
A presente dissertação procurou realizar uma reflexão fundamentada sobre a participação política dos jovens portugueses, tomando como pano de fundo as eleições para o Parlamento Europeu de 2024 – um ato eleitoral que, apesar da sua relevância, já que se trata da forma por excelência do cidadão europeu se fazer representar naquela que é a maior casa da democracia na Europa, é muitas vezes desvalorizado por ser incorretamente considerado menos relevante para o país.
Nesse sentido, foram exploradas várias questões de base e recolhidas opiniões de vários jovens com perfis distintos recorrendo a uma metodologia qualitativa, com o objetivo de aprimorar e aprofundar o conhecimento que temos sobre as perceções, as razões e as motivações que moldam o envolvimento – ou o afastamento - dos jovens portugueses em relação à participação política em geral, e às Eleições Europeias em particular.
A participação eleitoral dos jovens na área metropolitana do Porto: fatores sociológicos, consumo de informação e influência das sondagens nas legislativas de 2022 e 2024
( 2026 ) Gonçalves, Gabriel Ângelo Vieira; Silva, Catarina Isabel Pereira e; Palmeira, José António de Passos
A participação eleitoral dos jovens constitui um tema central no debate académico sobre o funcionamento das democracias contemporâneas, sobretudo num contexto de profundas transformações mediáticas. Este estudo analisa como os fatores sociológicos e o consumo de informação, no qual se inclui o papel particular das sondagens e das tracking polls influenciaram a participação eleitoral dos jovens entre os 18 e os 29 anos residentes na Área Metropolitana do Porto nas eleições legislativas de 2022 e 2024.
A investigação baseia-se num inquérito por questionário aplicado a 407 jovens, que aborda variáveis sociodemográficas, hábitos de consumo de informação noticiosa, participação nas Eleições Legislativas de 2022 e 2024 e perceções relativas às sondagens e às tracking polls. A análise combinou cruzamentos estatísticos entre variáveis e análise categorial de respostas abertas.
Os resultados evidenciam níveis elevados de participação eleitoral, particularmente em 2024, o que confirma a influência de fatores sociológicos clássicos, tais como a idade, a escolaridade, a situação profissional e o rendimento do agregado familiar. Observou-se ainda uma correlação positiva entre a frequência de consumo de informação noticiosa e a participação eleitoral, sendo os jovens que consomem notícias mais regularmente — sobretudo por meio de jornais e meios tradicionais — os mais mobilizados. Em contraste, o consumo de informação, predominantemente via redes sociais, não parece associar-se ao aumento da participação.
Relativamente às sondagens e às tracking polls, embora amplamente conhecidas, o seu impacto direto na participação e na mudança do sentido de voto é limitado, manifestando-se sobretudo na forma de voto estratégico.
Concluiu-se, portanto, que a participação eleitoral dos jovens adultos em Portugal é explicada maioritariamente por fatores estruturais e informacionais, cuja influência mediática é condicionada.
Importante, mas não assim tanto? O papel da idade na escolha eleitoral dos jovens
( 2026 ) Taveira, João Tomás Lopes; Costa, Edna Sofia Falorca; Lopes, Hugo Ferrinho
Os jovens são um grupo sub-representado politicamente a nível mundial. Analisando este fenómeno, a literatura tem apontado certos fatores que prejudicam os candidatos jovens como, por exemplo, o sistema eleitoral e party gatekeeping. Não obstante, no que concerne à procura por candidatos jovens por parte dos eleitores, os resultados aparentam ser mistos. Uma razão pela qual a literatura falha em encontrar uma predisposição para votar em candidatos jovens robusta no eleitorado poderá ser que existem outros fatores mais relevantes do que a idade do candidato para a escolha eleitoral.
Esta dissertação pretende contribuir para esta corrente florescente da literatura ao responder à seguinte pergunta: qual é o papel da idade na escolha eleitoral dos jovens em relação a outros fatores? Para tal, proponho um modelo analítico que adapta os contributos das teorias do comportamento eleitoral e de género e da psicologia social e política. De maneira a aprofundar o conhecimento nesta área, optou-se por uma metodologia qualitativa, grupos focais, estratificados consoante o género e posicionamento ideológico dos participantes. Ao longo das sessões foram abordados vários tópicos, começando pela predisposição dos jovens para votar em candidatos jovens, seguido do efeito de vários fatores na escolha eleitoral dos participantes, nomeadamente a ideologia, género e discriminação estratégica aliada à perceção de competência dos candidatos.
Apesar da amostra não representativa, surpreendentemente não se revelou uma predisposição dos eleitores jovens para votar em candidatos mais novos, sendo a idade superada pelos outros fatores. Adicionalmente, ficou patente uma diferença vincada tanto entre os grupos estratificados consoante o género, como consoante o posicionamento ideológico, no que toca à relevância dos fatores identitários (género e idade) para a escolha eleitoral. Por outro lado, os resultados relativamente à discriminação estratégica foram inconclusivos. A escolha eleitoral dos jovens pareceu seguir um “modelo de funil” pela qual a congruência ideológica foi verificada em primeiro lugar, seguida da perceção de competência e por último os fatores identitários (apenas pelos eleitores de esquerda). Estudos subsequentes sobre este tema deverão ter em conta esta diversidade dentro da faixa etária.