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Crianças da Amazônia indígena: o brincar-viver e as relações sociais da pequena infância Mebêngokrê-Kayapó
( 2026 ) Silva, Clarisse Filiatre Ferreira da; Ferreira, Fernando Ilídio; Shepard Jr., Glenn Harvey
Com base em referenciais teóricos críticos da antropologia da criança, da sociologia da infância e da etnologia indígena, este estudo teve como objetivo principal compreender as relações sociais e o livre brincar/brincar-viver das crianças indígenas em seus contextos comunitários na aldeia. Buscou-se: i) identificar como as crianças indígenas desenvolvem seus próprios processos de relações sociais, socialidades, práticas educativas e produção de conhecimentos; ii) reconhecer e analisar como a cosmopráxis indígena incentiva e apoia o livre brincar e promove práticas sociais que contribuem para o viver bem; e iii) refletir sobre as convergências, divergências e possíveis intercâmbios entre as culturas infantis indígenas e a educação infantil em contextos socioculturais de ethos escolarizado. A pesquisa empírica envolveu o bebê e a criança pequena Mebêngokrê-Kayapó, em suas vivências entre pares e adultos na aldeia A’Ukre/PA. A metodologia adotada foi a etnografia, complementada por técnicas audiovisuais (gravação, fotografia e filmagem), com rigor ético e reflexividade. O estudo revelou que a cosmopráxis indígena vê as crianças como agentes ativos na transformação de suas culturas, com elementos da organização social e cultural da aldeia A’Ukre, onde as comunidades estimulam as crianças a explorar o ambiente livremente, a tomar iniciativas e a tomar decisões de forma autônoma e cooperativa, tornando-as protagonistas de seus processos educativos, sujeitos a seus aprendizados e co-criadoras de suas culturas infantis. Seus modos de brincar, aprender, cuidar e compartilhar conhecimento demonstraram processos educativos de observação, vinculação, autonomia, (re)produção, criação e aprendizagem vivencial, delineando os contornos do livre-brincar/brincar-viver das culturas infantis, elementos de uma genuína “pedagogia nativa”. Observou-se também a corporeidade na formação das alteridades e socialidades da criança, especialmente o conceito-práxis de ‘fabricação do corpo’ que permeia os cuidados nas sociedades ameríndias, abrindo possibilidades de desafetizar a ideia de um modelo universal de infância e desenvolvimento. Acredita-se que esta tese pode subsidiar a epistemologia da infância indígena brasileira, destacando a agência dos bebês e das crianças pequenas na manutenção e na transformação de seus sistemas socioculturais, pautando-se pelo respeito e pelo cuidado comunitário e pelo compromisso com a preservação ecológica planetária.
Fabrication and characterization of micro-concentrator solar cells based on Cu(In,Ga)Se2
( 2026 ) Alves, Marina do Carmo; Carneiro, Joaquim A. O.; Sadewasser, Sascha
As crescentes preocupações ambientais e o aumento da demanda global por energia têm intensificado a necessidade de tecnologias de energia renovável. A microconcentração fotovoltaica (μCPV) surge como uma tecnologia promissora, ao combinar conceitos de filmes finos e de concentração, e reduzir as dimensões das células solares para a escala sub-milimétrica. Esta tecnologia permite reduzir o consumo de materiais e os custos de fabrico, enquanto aumenta a geração de energia sob luz concentrada. No presente trabalho, microcélulas de Cu(In,Ga)Se2 (CIGSe) foram fabricadas em substratos préestruturados, padronizados por fotolitografia da camada isolante de SiOx. O precursor Cu-In-Ga (CIG) foi depositado por pulverização catódica, seguido de lift-off do fotorresiste/CIG, tratamento térmico e selenização para formar o microabsorvedor final. Os microdispositivos foram avaliados sob iluminação padrão em AM1.5 e concentrada. Durante a fabricação do substrato, a litografia por escrita direta a laser produziu padrões de maior resolução em comparação ao mask aligner, e camadas isolantes de SiOx com espessura de 2 μm apresentaram melhor estabilidade térmica durante a selenização do que as de 1 μm. A otimização do crescimento do CIGSe revelou que micro-pontos com diâmetros de 100 e 150 μm sofreram mais danos durante a selenization, e que precursores ricos em Cu resultaram em defeitos morfológicos, estruturas ricas em Na e fases secundárias. Por outro lado, precursores pobres em Cu, quando submetidos a tratamento térmico e selenizados em dois estágios, reduziram substancialmente os defeitos no microabsorvedor e a fissuração na camada de SiOx. Apesar dos desafios, microdispositivos de CIGSe foram fabricados com sucesso, com o melhor microdispositivo a atingir eficiência de 1.44%. Para mitigar a difusão de Na e a fissuração do SiOx, foi introduzida uma camada barreira de SiOxNy. A avaliação dos microdispositivos confirmou que o tratamento melhorou significativamente o Voc e o Jsc, principalmente na selenização em um estágio, com ganhos médios de 63 mV em Voc e 1.8 mA/cm-1 em Jsc. Em todos os dispositivos, a alta resistência em séria e baixa resistência shunt limitaram a performance. Sob iluminação concentrada, os aumentos em Voc e Jsc, mas o desempenho permaneceu limitado pela recombinação, perdas resistivas e degradação do FF. Este trabalho demonstra a viabilidade de fabricar microcélulas solares CIGSe em substratos pré-estruturados por meio de pulverização catódica e CVD, evidenciando os desafios e as possíveis rotas de otimização para o avanço das tecnologias fotovoltaicas de microconcentração de CIGSe.
Automatização do processo de limpeza de cristais de gelo das cuvetes
( 2026 ) Cerqueira, Beatriz Lobo; Machado, José; Pereira, Filipe Alexandre Sousa
A presente dissertação foi realizada no âmbito do estágio curricular do Mestrado Integrado em Engenharia Mecânica, com especialização em Sistemas Mecatrónicos, e teve como objetivo principal o desenvolvimento de uma solução automatizada para o processo de limpeza de cristais de gelo em cuvetes de polvo, na unidade industrial da empresa Brasmar, na Trofa. O projeto surgiu da necessidade de reduzir o esforço físico associado à limpeza manual com pistolas de ar comprimido, melhorar as condições ergonómicas do posto de trabalho e aumentar a eficiência global do processo, nomeadamente ao nível da uniformidade da limpeza e da redução do consumo de ar comprimido.
Com base na análise de soluções anteriormente utilizadas, foi concebido e implementado um sistema composto por válvulas pneumáticas de impacto, controladas por um autómato programável (PLC Omron CP1E-N40DR-D), sensores fotoelétricos para deteção de cuvetes e uma interface homem-máquina (HMI NB7W) para parametrização de variáveis e monitorização do sistema. A lógica de funcionamento foi desenvolvida em linguagem Ladder, permitindo a atuação sequencial e seletiva dos bicos de sopro, ajustada ao tipo e presença de cuvetes.
Foram realizados testes comparativos entre os métodos manual e automático, tendo sido avaliados parâmetros como o tempo de limpeza, o consumo total de ar comprimido, a eficácia na remoção de gelo e o impacto ergonómico. Verificou-se que, embora o sistema automático represente um avanço significativo em termos de ergonomia e controlo do processo, persistem limitações na eficácia de limpeza em zonas do congelado, sendo identificadas oportunidades de melhoria para futuras versões do sistema.