Crianças da Amazônia indígena: o brincar-viver e as relações sociais da pequena infância Mebêngokrê-Kayapó

dc.commentsIE/2026/1220
dc.contributor.advisorFerreira, Fernando Ilídio
dc.contributor.advisorShepard Jr., Glenn Harvey
dc.contributor.authorSilva, Clarisse Filiatre Ferreira da
dc.date.accessioned2026-09-08T13:04:12Z
dc.date.issued2026-07-24
dc.date.submitted2026-05
dc.description.abstractCom base em referenciais teóricos críticos da antropologia da criança, da sociologia da infância e da etnologia indígena, este estudo teve como objetivo principal compreender as relações sociais e o livre brincar/brincar-viver das crianças indígenas em seus contextos comunitários na aldeia. Buscou-se: i) identificar como as crianças indígenas desenvolvem seus próprios processos de relações sociais, socialidades, práticas educativas e produção de conhecimentos; ii) reconhecer e analisar como a cosmopráxis indígena incentiva e apoia o livre brincar e promove práticas sociais que contribuem para o viver bem; e iii) refletir sobre as convergências, divergências e possíveis intercâmbios entre as culturas infantis indígenas e a educação infantil em contextos socioculturais de ethos escolarizado. A pesquisa empírica envolveu o bebê e a criança pequena Mebêngokrê-Kayapó, em suas vivências entre pares e adultos na aldeia A’Ukre/PA. A metodologia adotada foi a etnografia, complementada por técnicas audiovisuais (gravação, fotografia e filmagem), com rigor ético e reflexividade. O estudo revelou que a cosmopráxis indígena vê as crianças como agentes ativos na transformação de suas culturas, com elementos da organização social e cultural da aldeia A’Ukre, onde as comunidades estimulam as crianças a explorar o ambiente livremente, a tomar iniciativas e a tomar decisões de forma autônoma e cooperativa, tornando-as protagonistas de seus processos educativos, sujeitos a seus aprendizados e co-criadoras de suas culturas infantis. Seus modos de brincar, aprender, cuidar e compartilhar conhecimento demonstraram processos educativos de observação, vinculação, autonomia, (re)produção, criação e aprendizagem vivencial, delineando os contornos do livre-brincar/brincar-viver das culturas infantis, elementos de uma genuína “pedagogia nativa”. Observou-se também a corporeidade na formação das alteridades e socialidades da criança, especialmente o conceito-práxis de ‘fabricação do corpo’ que permeia os cuidados nas sociedades ameríndias, abrindo possibilidades de desafetizar a ideia de um modelo universal de infância e desenvolvimento. Acredita-se que esta tese pode subsidiar a epistemologia da infância indígena brasileira, destacando a agência dos bebês e das crianças pequenas na manutenção e na transformação de seus sistemas socioculturais, pautando-se pelo respeito e pelo cuidado comunitário e pelo compromisso com a preservação ecológica planetária.por
dc.description.abstractThis study, drawing from critical theories in child anthropology, childhood sociology, and indigenous ethnology, aimed to understand the social relationships and free play of indigenous children within their community contexts in the village. It sought to (i) explore how indigenous children develop their own processes of social relations, socialities, educational practices, and knowledge creation; (ii) recognize and analyze how indigenous cosmopraxis promotes and sustains children's free play while fostering social practices that contribute to well-being; and (iii) examine the similarities, differences, and exchanges between indigenous childhood cultures and early childhood education in sociocultural school settings. The research focused on Mebêngokrê-Kayapó children in A'Ukre/PA, using ethnography complemented by audio-visual methods (recording, photography, filming), with attention to ethical standards and reflexivity. Findings showed that indigenous cosmopraxis views children as active agents transforming their cultures, emphasizing elements of social and cultural organization in A'Ukre that encourage children to explore freely, initiate actions, and make decisions cooperatively. This makes them protagonists and co-creators of their childhood cultures. Their unique ways of playing, learning, caring, and sharing reveal educational processes rooted in observation, bonding, autonomy, reproduction, creation, and experiential learning, outlining a form of free play or play-living that embodies a “native pedagogy.” The study also highlighted the role of corporeality in shaping children's social identities and otherness, particularly the concept of “body fabrication,” which influences care practices in Amerindian societies. This opens the possibility of challenging universal models of early childhood and development. The thesis contributes to the epistemology of Brazilian indigenous early childhood, emphasizing children's agency in maintaining and transforming their sociocultural systems, while respecting community and ecological integrity.eng
dc.identifier.tid101624204
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1822/103341
dc.language.isopor
dc.rightsopenAccess
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
dc.subjectAmazônia indígena
dc.subjectantropologia da criança
dc.subjectculturas infantis
dc.subjectetnologia indígena
dc.subjectpequena infância indígena
dc.subjectindigenous Amazon
dc.subjectanthropology of the child
dc.subjectchildhood cultures
dc.subjectindigenous ethnology
dc.subjectindigenous early childhood
dc.subject.fosCiências Sociais::Ciências da Educação
dc.titleCrianças da Amazônia indígena: o brincar-viver e as relações sociais da pequena infância Mebêngokrê-Kayapópor
dc.title.alternativeChildren of the indigenous Amazon: playing-living and social relations of Mebêngokrê-Kayapó's early childhoodeng
dc.typedoctoralThesis
dspace.entity.typePublication
sdum.degree.gradeMuito bom
sdum.uoeiInstituto de Educação
thesis.degree.grantorUniversidade do Minhopor
thesis.degree.nameDoutoramento em Estudos da Criança (especialidade em Infância, Cultura e Sociedade)

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