“A mão que embala o berço”: as mulheres e o SARS-CoV-2

dc.contributor.authorBrandão, Ana Mariapor
dc.date.accessioned2021-01-15T12:37:33Z
dc.date.available2021-01-15T12:37:33Z
dc.date.issued2020-12-01
dc.description.abstractPublicado pela primeira vez em 1865, o poema do norte-americano William Ross Wallace que dá título a esta reflexão é um elogio à maternidade enquanto força motriz do mundo. Muito haveria a dizer sobre a duradoura associação das mulheres à maternidade e mais ainda sobre o verso que conclui o refrão, pois, não sendo evidente que as mulheres governem o mundo, continuam a ser sobretudo elas a embalar o berço. Em 2018, as mulheres eram, em todo o mundo, as principais responsáveis pelos cuidados informais e pelo trabalho doméstico não pago (três vezes mais do que os homens) e compunham cerca de 2/3 da força de trabalho do setor dos cuidados formais, incluindo este a educação, os serviços de saúde e o serviço social (U.N. Women, 2020). Nos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico, esse valor ascendia aos 90% (OECD, 2020, p. 3). Como seria de esperar, os dados revelam disparidades, mas, mesmo nos países mais ricos, a redução do hiato de género no que respeita especificamente ao trabalho (doméstico, de cuidado) não pago não se deve ao facto de os homens estarem a assumir de forma equitativa a sua parte, mas sobretudo à presença da “tecnologia doméstica moderna” e à contratação de outras mulheres para realizar esse trabalho (U.N. Women, 2020, p. 147). Quando, na sequência da pandemia SARS Cov-2, em Portugal, foi decretado o estado de emergência e imposto o dever de recolhimento, uma parte significativa desse trabalho deixou de poder ser delegada ou contratada. O encerramento de creches, infantários, escolas e universidades e a entrada no regime de teletrabalho acrescentou às usuais responsabilidades das mulheres no espaço doméstico o papel de instrutoras. Este inesperado acréscimo de trabalho terá sido também sentido por muitas adolescentes e jovens em idade escolar, chamadas a partilhar o fardo. Nos países mais pobres, a situação agrava o risco de abandono escolar precoce de adolescentes e jovens, compromete o seu futuro e ameaça reverter as conquistas obtidas nas últimas décadas a esse nível (U.N. Women, 2020, p. 14-15). O que significa ser mulher e viver os efeitos da pandemia? Em que medida se alteraram os nossos quotidianos? As respostas não são lineares porque as mulheres não são todas iguais, não possuem todas os mesmos recursos e não estão todas sujeitas às mesmas condições de vida. Por isso, este texto, que assenta mais nessa espécie de “vadiar sociológico” que converte “o quotidiano em permanente surpresa” (Pais, 1993, p. 106) do que numa análise estritamente obediente aos cânones académicos, não pode deixar de refletir a minha própria posição e a das mulheres que conheço e que me são mais próximas. É, nesse sentido, um olhar interessado, mas não ignora a existência de outros mundos – os das mulheres não académicas, das não ocidentais, das não caucasianas, das não heterossexuais, daquelas a quem escapa a oportunidade de viver numa realidade distante da indigência generalizada.por
dc.distributionnationalpor
dc.identifier.citationBrandão, A. M. (2020). “A mão que embala o berço”: as mulheres e o SARS-CoV-2. In M. Martins e E. Rodrigues (eds.). A Universidade do Minho em tempos de pandemia: Projeções (109-126). Braga: UMinho Editorapor
dc.identifier.doi10.21814/uminho.ed.25.6por
dc.identifier.eisbn978-989-8974-29-7
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1822/69280
dc.language.isoporpor
dc.publisherUMinho Editorapor
dc.relation.publisherversionhttps://ebooks.uminho.pt/index.php/uminho/catalog/book/27por
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectSARS Cov-2por
dc.subjectGéneropor
dc.subjectPortugalpor
dc.subjectDesigualdadespor
dc.subjectCOVID-19
dc.subjectPandemia
dc.subject.fosCiências Sociais::Sociologiapor
dc.subject.odsIgualdade de géneropor
dc.title“A mão que embala o berço”: as mulheres e o SARS-CoV-2por
dc.typebookPartpor
dspace.entity.typePublicationen
oaire.citationConferencePlaceBraga, Portugalpor
oaire.citationEndPage126por
oaire.citationStartPage109por
oaire.citationVolumeTomo IIIpor
oaire.versionVoRpor
sdum.bookTitleA Universidade do Minho em tempos de pandemia. Tomo III: Projeçõespor

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