Subúrbio na cidade

dc.contributor.authorLima, Teresapor
dc.date.accessioned2024-07-30T14:10:51Z
dc.date.available2024-07-30T14:10:51Z
dc.date.issued2021-02-08
dc.descriptionA "Passeio - Plataforma de Arte e Cultura Urbana" é uma plataforma do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS).por
dc.description.abstractSe o corpo é a nossa primeira morada, o lar que me povoou foi a minha avó. Fresca era a casa da infância. De lençóis limpos e cheiro a sabão. Chorei a demolição das paredes velhas, de gente pobre, sem significado arquitetónico, estético ou artístico. Chorei o fim da casa plantada num subúrbio com ar de aldeia. Os fragmentos de memória enunciados, são deliberadamente evocativos. Acreditamos, como Bachelard, que “os valores de abrigo são tão simples, tão profundamente enraizados no inconsciente, que os encontramos mais facilmente por uma simples evocação do que por uma descrição minuciosa” (Bachelard & Danesi, 1996, p. 22). O espaço da infância é um lugar abrigo de indefinidos perigos. Entre o medo do desconhecido e a atração pelo novo, o que subsiste são os significados surgidos da interação entre o eu, a cidade e os muitos personagens que a povoam, ela incluída, com seus prédios, suas ruas, suas árvores, seus tremores. Fixamos estas memórias com delicadeza, como quem prende uma borboleta esvoaçante, tentando reter a sua forma, mas sem eliminar o seu fluxo. Este é um território de tensões. Do tempo com o espaço, do contínuo com o objeto. E quando se perdem os objetos, permanecem as experiências traduzidas num espaço de conversação, reverberando pela memória, pelas palavras que se materializam neste ato de escrita, pela partilha comunitária do vivido. Entre o mundo interior da criança e a realidade experienciada, constrói-se a significação (este discurso que exprimo agora e partilho com quem me lê). É possível que outros significados se fabriquem nesta relação, justificando, assim, a visão ritual da comunicação de James Carey (Carey, 2009). Tentou-se, também, ainda que um tanto inconscientemente, verbalizar o lugar de segurança da casa, em confronto com o espaço de liberdade da cidade, de Tuan (Tuan, 1977). Da ausência de limites da criança, que toma como seu o corpo de outrem, sendo a experiência do espaço condicionada pelo sentimento nutrido pelo adulto. A cidade pode ser tão fria como desatenta é a mão que nos guia pelos seus caminhos. Ou tão calorosa como interessada é a conversa de quem nos apresenta um pacotinho de caramelos no intervalo do cinema, na cidade grande. Para a criança que eu fui, todos os sentidos podem ser hiper-aumentados na leitura da urbe.por
dc.distributioninternationalpor
dc.identifier.citationLima, Teresa. (08, fevereiro, 2021). Subúrbio na cidade. Passeio - Plataforma de Arte e Cultura Urbana. https://www.passeio.pt/galeria/suburbio-na-cidade/por
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1822/92669
dc.language.isoporpor
dc.peerreviewednopor
dc.relationinfo:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDP%2F00736%2F2020/PTpor
dc.relationinfo:eu-repo/grantAgreement/FCT/6817 - DCRRNI ID/UIDB%2F00736%2F2020/PTpor
dc.relation.publisherversionhttps://www.passeio.pt/galeria/suburbio-na-cidade/por
dc.rightsopenAccesspor
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/por
dc.subjectPasseiopor
dc.subjectPortopor
dc.subjectUrbepor
dc.subjectCultura urbanapor
dc.subjectInfânciapor
dc.subjectSubúrbiopor
dc.subject.fosCiências Sociais::Ciências da Comunicaçãopor
dc.titleSubúrbio na cidadepor
dc.typeotherpor
dspace.entity.typePublicationen
oaire.versionAMpor

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