Fragmentos do urbano

dc.contributor.editorPires, Helena
dc.contributor.editorPinto-Coelho, Zara
dc.date.accessioned2025-10-08T10:58:25Z
dc.date.issued2025
dc.description.abstract[Excerto] A transição do paradigma industrial para o paradigma urbano conduziu à transformação da perceção da experiência quotidiana, através da reinvenção, nomeadamente, do espaço público. Dito de outro modo, poder-se-á associar a modernidade a uma determinada visão fragmentária da realidade social e cultural, tal qual esta se manifesta na vida urbana. A esta mudança corresponde uma “fase crítica”, considerando-se o processo pelo qual a sociedade industrial deixa lugar à “sociedade urbana” (Lefebvre, 1970; 1968/1991). Do ponto de vista territorial, a fragmentação designa um processo de estilhaçamento, de explosão de um objeto espacial, a que poderá chamar-se cidade, se o entendermos enquanto portador do ideal de uma unidade social (Navez-Bouchanine, 2002). Espacialmente, o conceito de fragmentação nos espaços urbanos sugere descontinuidades, cortes, limites, muros, visíveis e invisíveis, fraturas, em suma um tecido potencialmente explosivo constituído sob a forma de um mosaico, de uma justaposição de fragmentos, frequentemente desarticulados entre si. No contraponto do “espaço concebido” (Lefebvre, 1974), como apreender a fragmentação a partir da vida quotidiana e das práticas espaciais dos indivíduos? Do “espaço vivido”? Como dar conta das linhas de fuga, das resistências, dos modos como se costuram (ou não) os fragmentos urbanos? Pode o espaço dominado ser transformado em lugar apropriado, simbólica ou fisicamente? Como elucida Lefebvre (1983), o carácter repetitivo do quotidiano confere-lhe a falsa aparência da simplicidade. Pelo contrário, é nas repetições, nas mesmidades de todos os dias (Heidegger, 1986/2004; 1986/2005), que o inusitado e a complexidade emergem. As montagens surrealistas, inspiradoras do projeto das Arcadas de Walter Benjamin, ilustram bem a ótica de uma nova sensibilidade, estimulada pela cultura material, voltada para “telescopar o passado através do presente”. À maneira de Aby Warburg, ou mesmo de Gerard Richter, a crise da modernidade, arrastando consigo a crise da experiência, enquanto perceção do fim do sentido unitário das estruturas e das instituições tradicionais, encontra um novo modo do fazer historiográfico, materializado em artefactos tais como os atlas que costuram a acumulação de materiais e imagens, em jeito de mosaico arquivístico. Frequentemente, são os objetos deixados para trás que conferem o carácter etnográfico às vidas que perpassam o espaço urbano, deixando um rasto que permite adivinhar o papel dos sujeitos que, mantendo-se invisíveis, se expressam nesses mesmos objetos. Não sendo o paradigma materialista o único ponto de vista adotado ou exclusivo a todos os micro-ensaios expostos nesta publicação, poder-se-á fazer ecoar a perspetiva benjaminiana, segundo a qual interessará falar menos de pessoas e mais de objetos ou dos espaços que estas habitam. As fotografias de Christian Boltanski, além disso, poderão igualmente aqui servir de metáfora de uma tal força ou intensidade depositadas no objetual. Por analogia, neste livro, em consonância com aquilo que define a abordagem que tem acompanhado as produções da Passeio, adotamos o fragmentário como modelo epistemológico e metodológico, não descurando o princípio das descontinuidades que preside à montagem ou à colagem. Na experiência sensível do imediato realiza-se, segundo este paradigma, a memória social, assim como se produzem os sentidos do lugar e das relações aparentemente efémeras. Os micro-ensaios aqui reunidos procuram, assim, dar conta dos “objetos encontrados” que dão corpo à cultura contemporânea, tal qual esta se manifesta no espaço público urbano.por
dc.description.sponsorshipEste trabalho é financiado através da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologia, I.P., no âmbito do financiamento do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade UID00736 (CECS) 2025-2029
dc.distributionnational
dc.identifier.citationPires, H., & Pinto-Coelho, Z. (Eds.). (2025). Fragmentos do urbano. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade.
dc.identifier.isbn978-989-36118-0-7
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1822/97299
dc.language.isopor
dc.peerreviewedn/a
dc.publisherUniversidade do Minho. Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS)
dc.relation.ispartofseriesNotas do quotidiano
dc.rightsopenAccess
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by/4.0/
dc.subjectPasseio
dc.subjectCultura urbana
dc.subjectArte urbana
dc.subjectCidade
dc.subjectQuotidiano
dc.subject.fosCiências Sociais::Ciências da Comunicação
dc.titleFragmentos do urbanopor
dc.typebook
dspace.entity.typePublication
oaire.versionhttp://purl.org/coar/version/c_970fb48d4fbd8a85

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